quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A TRIBO DAS MULHERES GIRAFA, CHIANG MAI, TAILÂNDIA.

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Em casas feitas de palha, enfileiradas numa aldeia muito pequena, mulheres sorridentes, algumas jovens, outras velhas, exibem peças de artesanato ou trabalham em máquinas de tear. Todos vão ali para ver de perto as míticas mulheres-girafa e acabam por ajudar comprando objectos por elas manufacturados.

Todos têm curiosidade em ver essas mulheres, que conhecíamos com o um fenómeno distante de fotos e revistas, com aquelas argolas douradas no pescoço e nas pernas. Mas poucos sabem como elas vivem, por que motivo estão ali e o que as faz manter a tradição.

As mulheres vivem em Kayan ou Padaung (nome da tribo), Chiang Mai e são refugiadas da Birmânia, onde a tradição de tentar alongar os pescoços é secular. Não se sabe ao certo o motivo. Existem lendas que contam que seria para proteger dos ataques de tigres. Outras falam que seria para deixá-las mais belas. E ainda há quem diga que seria para punir as adúlteras.

Facto é que, passados tantos anos, a tradição se manteve e, a partir dos cinco anos de idade, as meninas começam a colocar as argolas no pescoço. É uma peça única de bronze, com aros enrolados, que com o tempo é substituída por peças cada vez maiores, com no máximo de 25 aros. As peças são extremamente pesadas, podem chegar até 10 quilos.

A curiosidade é que o pescoço não se alonga com o processo – é só ilusão de ótica. O que acontece na verdade é que os aros afinam a região e o peso da peça comprime a clavícula para baixo, afundando a caixa torácica, o que dá a impressão de que o pescoço cresceu. As mulheres Kayan podem tirar as argolas, só precisam tomar cuidado para não virar o pescoço bruscamente.

Mas se antigamente usar as argolas era tradição, hoje em dia virou uma questão de sobrevivência económica (devido ao fluxo do turismo). Há muito que membros da etnia Karen fogem da Birmânia/ Myanmar, onde existe um conflito étnico, para o nordeste da Tailândia.

Contudo, nos tempos actuais, não é obrigatório o uso das argolas. Na minha viagem, em Nov/2015, encontrei muitas crianças, jovens e designadamente uma linda rapariga de 19 anos, que falava excelentemente inglês, que tinha acabado os estudos (correspondentes ao n/ 12º ano) estava noiva, ia casar em breve, e nunca tinha seguido a tradição.

As pinturas que fazem na cara são um hábito comum na Birmânia, de onde são originárias, para as proteger dos efeitos do sol, para que não fiquem mais bronzeadas ou escuras. É o único povo que tem essa prática na Tailândia. 
(Partes do texto são de  Luíza Antunes, jornalista, de Coimbra) 

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